
Hoje em dia, eu vivo de busca. Busco coisas por aí, publico coisas por aqui, pelo Boozai, pela rede. E, buscando, descobri um cara que viveu para buscar. Saiu no International Herald Tribune, a edição global do New York Times, uma matéria interessantíssima sobre um belga que a história esqueceu, chamado Paul Otlet. O que o cara fez? Inventou a internet como conhecemos. Em 1934.
Sim… Ele fez um rascunho conceitual do que chamou de “telescópios elétricos”, uma espécie de geringonça de cientista maluco, que permitiria que pessoas do mundo todo buscassem (e compartilhassem) documentos e arquivos de vídeo, áudio e imagens. Elas poderiam até se conectar por redes sociais de interesse. E Otlet de fato pôs a parada pra funcionar, por meio de cartas e mensagens telegráficas. O museu que ele fundou, Mundaneum (recém-restaurado em sua cidade natal, Mons), chegou a receber mais de 1,5 mil arquivos por ano, de diversas fontes, sobre os mais diversos assuntos, que ele catalogou por meio de cartões indexados, com especificações por assuntos. Em seus escritos, Otlet chamou os cartões (que ironia!) de links.
Esse cara fundou o Google há quase um século! Por que fomos pensar em qualquer coisa do tipo tanto tempo depois? Porque seu museu foi desalojado para abrigar uma galeria de arte nazista durante a invasão da Bélgica, em 1939, e a parte de sua documentação que não se perdeu acumulou poeira por décadas em um depósito. A tecnologia tomou seus rumos, a rede de informação se construiu e a internet é uma realidade.
Hoje, o museu Mundaneum está restaurado em uma fachadinha humilde, em Mons, graças aos esforços do pesquisador W. Boyd Rayward, que se debruça sobre a obra de Otlet desde de 1968. O que teria acontecido se a linha de pesquisa de Otlet não tivesse se perdido no ostracismo ignorante do fascismo? Ninguém sabe. Mas a verdade é que os apaixonados por sua obra acabam de ganhar um reforço de peso na pesquisa: o Google (que não dorme no barulho) está abrindo um escritório em Mons!
obrigada pela informação! adoro essas navegadas!
lila http://www.umponto.worpress.com
Olá, Lila! Eu que agradeço pela visita e, claro, pelo comentário. É legal a sensação de ter visitantes. hahahaha Volte sempre.
incrível as voltas que a humanidade dá, nénão?
coisas se perdem. coisas se acham.
e assim caminha a humanidade.
É, Anna… Por isso que a evolução é uma teoria e não uma lei.
É, cara. Visionário o belga.
=)
Sou eu, sua prima!
Ana, logada no meu blog de merdas da internet:
http://www.semata.wordpress.com
Incrível! Eu fico fascinado com esses caras que inventaram algo fora de sua época. Mal comparando, é como o cara da xerox que inventou o mouse e foi vê-lo aproveitado anos depois por outra empresa — a Apple Computer. São histórias que dão conta de uma certa ingratidão do destino.
Gabriel, ótimo resgate essa história. Gostei muito daqui. Voltarei, tanto que já te linkei no meu blog.
Bjs
coitado do belga… teve a ideia certa na hora errada e no lugar errado.
Opa! Obrigado pelos comentários!
Aninha: é nóis, prima!!
Jayme: o que eu acho mais legal dessa história do belga é que, ao contrário do que aconteceu com o mouse do cara da xerox, ela não foi linear. A internet não deriva dos estudos dele, mas, mesmo assim, chegou a um ponto muito próximo do que o cara tinha idealisado.
Patty: valeu pelo link!! E volte sempre. Se me sobrar um tempinho hoje, vou colocar uma paradinha nova aqui! Senão, amanhã, sem falta.
Marcio: é, contrário do Hilter: a idéia errada na hora certa e no lugar certo!
O Neil mandou, eu vim, vi e gostei. Parabéns pelo NOVO blog. Vou levar esta postagem ( MEMORAVEL) para o meu Drops!
Abçs
Obrigado, Eduardo! Creative Commons na fita. Mas, por favor, deixe o endereço do seu blog por aqui, para que eu possa linká-lo (assim que eu descobrir como se faz isso).
aprendi algo novo e interessante contigo no dia de hoje ,obrigada que DEUS te abençõe muito.