23
Jun
08

Em rede que tem piranha, pirata navega encriptado

Na semana passada, a incriticável Suécia editou uma lei mais do que criticável. Ditou que todas as conexões telefônicas e tráfego de internet por provedores suecos sejam abertos e rastreados em nome da segurança nacional. Ou seja: o grampo é legal, independente de mandado. A Suécia criou a prisão de Guantánamo das comunicações.

O Pirate Bay, site de BitTorrent ousado até – você deve se lembrar: eles tentaram comprar uma ilha para criar uma legislação que permitisse pirataria deliberada – resolveu declarar guerra à Suécia. Ontem, um dos fundadores do site, que se apresenta simplesmente como Peter, escreveu em seu blog que vai adicionar SSL (Secure Sockets Layer – sistema de encriptação que bloqueia acesso às informações de tráfego) ao site.

Na prática: o suequinho feliz que quiser baixar qualquer programa ilegal por BitTorrent poderá fazê-lo, na maior, sem que governo nenhum meta o bedelho em sua navegação. Além disso, o simpático pirata Peter conta que já tem uma rede fechada no site e que vai baixar os preços ao mínimo, para que todos possam trocar arquivos tranqüilamente, além mar, livres dos copyrights.

Bomba, né? Mas tem mais: o Pirate Bay vai fazer um boicote à Suécia, frente aos provedores de internet. O negócio é mais ou menos assim: você, provedor, deve bloquear a Suécia para proteger os dados e a navegação do seu usuário. A idéia, como o cara fala no blog é banir a Suécia da internet! Cabuloso…

Um post scriptum que bem cabe: vocês viram que na semana passada o Gene Simmons, baixista do Kiss, falou que a culpa pela morte da indústria fonográfica é dos fãs, que baixam conteúdo pirata na net? Não foi só isso: ele disse que o Kiss tá em greve de estúdio até que os fãs parem de baixar música! Hahahahahahahaha Uma pena, mas o Kiss acabou.


7 Respostas para “Em rede que tem piranha, pirata navega encriptado”


  1. 1 anna
    Junho 23, 2008 às 10:55 pm

    putz gabriel, assunto cabeludo… bem, só pelo “cabeludo” já denuncio a geração que pertenço e portanto, minha posição é mais conservadora.

    não sou favorável nem um pouco aos grampos, mas sim a uma polílita de fiscalização. isso porque no brasil a rede de pedofilia vai de vento em popa.sem controle a coisa tá correndo solta.

    como vc é do ramo e eu não, pergunto: é possível rastrear esse tipo de site sem que hajam grampos?

  2. Junho 23, 2008 às 11:50 pm

    sinistro…
    E com o Google? O que será q a Suécia vai fazer? eles sim podem ameaçar a segurança nacional…
    xiiiiiiii

  3. Junho 23, 2008 às 11:59 pm

    Que delícia que é ler as coisas que vc escreve!!
    Os assuntos são bem interessantes e o jeito de contar nem se fala.
    Que bom, nego! Tava com saudade de ler textos seus.
    Vou linkar vc lá no pensamentos.
    Beijo, lindo!

  4. Junho 24, 2008 às 10:34 am

    mygod! será que os suecos vão ter que ir até a china pra navegar com liberdade? quem diria! e o kiss tá em greve… quer dizer que depois de copiar a pintura dos secos & molhados e fazer aquele rockzinho vagabundo e ‘poser’, eles ainda se saem com essa? ah, tem outra: o tal do simmons é também garoto-propaganda do viagra nos eua. acho que ele fica melhor nesse papel.

  5. 5 gabrielgaspar
    Junho 26, 2008 às 9:31 pm

    Anna: o grampo é uma medida drástica, que afeta toda uma comunidade de pessoas. Uma iniciativa mais interessante é o que tá pleiteando a CPI da pedofilia frente ao Google: obrigar que os dados de navegação criminosa (por meio de tags e controles de acesso) sejam abertos. É como um alvará virtual para grampear. Agora, rastrear todos os usuários de internet para encontrar criminosos é um crime em si, uma medida fascista.

    Marina: obrigado pelos elogios e pelo link!

    Marcio: Não duvido de mais nada. Volte vinte anos no tempo e conte para alguém, em 1988, que o restaurante oficial das Olimpíadas de Pequim seria o McDonald’s. O cara diria: “só no dia em que o Schwarzenegger for governador da Califórnia!”

  6. Junho 27, 2008 às 2:45 pm

    Adorei essa do McDonald´s. Essa questão do grampo é dose, eu acho que pode haver um meio termo. Radical assim fica meio estranho.

    Bjs

  7. 7 gabrielgaspar
    Junho 27, 2008 às 5:24 pm

    Concordo, Patty. Tem de haver uma saída mais “light”. O problema é que até a gente começar a lidar de fato com esse tipo de problema vai demorar. Podemos até desenvolver soluções técnicas, mas enquanto não houver uma legislação capaz de abrangir os delitos virtuais, a prática repressiva não passará de teoria.


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