Arquivo para Julho 4th, 2008

04
Jul
08

Qual o tamanho da sua cabeça?

Minha queridíssima Marina me mandou essa matéria do IG. Interessante o fato de poder colocar todas as músicas que eu, meus pais e meus amigos já ouviram em todas as nossas vidas em um único HD. Mas o que me chamou a atenção na história não foram os 5 terabytes de armazenamento que a Hitachi profetiza para seu futuro top de linha. Foi a declaração do presidente da empresa, Yoshihiro Shiroishi: “a capacidade total de armazenamento de dados do cérebro humano é estimada em 10 terabytes”.

Não sei qual o conhecimento dele em neurociência – o meu é pífio. Mas como já está virando tradição, vou me aventurar por mais um território inóspito. É a sina do jornalista…

Soa-me esquisito falar em capacidade máxima de armazenamento do cérebro. Quem calcula isso? Como se calcula isso? Eu acho que o cérebro é imensurável… Até porque, ao contrário dos discos rígidos, não sabemos exatamente o que nossa cachola guarda. Enquanto as máquinas têm seus dados (01010101010101110001), nós temos memórias, pensamentos, sentimentos – não, eles não nascem no coração –, capacidades místicas, mágicas, sobrenaturais até.

O próprio cientificismo se depara com milagres, direto. Outro dia vi no Fantástico, uma matéria sobre um rapaz americano cego que anda de bike, orientado por um sonar que ele próprio desenvolveu na cabeça – tipo os golfinhos e os morcegos. Coisa de louco (veja o vídeo). Alguém sabia que este radar é uma capacidade inerente ao cérebro humano? Provavelmente não, mas é. Não vou ficar citando casos, mas têm vários cérebros que ultrapassam as barreiras da própria ciência. Se a ciência é humana e o homem transgride os limites do próprio homem, como podemos mensurar nossos limites? É uma pergunta cartesiana, retórica, mas não desprezível.

Concluindo: acho que a afirmação do seu Shiroishi ali é a típica aplicação publicitária vulgar da ciência. Ele só queria mostrar como o HD da Hitachi é poderoso. Tudo bem, mas acho que em um tempo como este em que vivemos, em que este tipo de pensamento pulverizou nossa capacidade de buscar a profundidade das coisas, vale a pena um pouquinho de contestação a la Descartes.

PS: se alguém conhecer algum neurocientista, por favor, pergunte a ele se esse negócio tem base mesmo.